Aveia branca: alto potencial produtivo, alto teor de proteína nos grãos e planta melhoradora do solo. Foto: Elir/IDR

Diversificação e maximização do uso do solo

O Paraná é responsável por 24,1% da produção nacional de grãos, ocupando apenas 2,3% do território do país. O estado lidera o ranking nacional de produção de trigo, feijão e ocupa a segunda posição na produção de soja e milho.

Embora as estatísticas são positivas, os números ainda podem melhorar, pois o Paraná possui cerca de 2,7 milhões de hectares que permanecem em pousio ou com simples plantas de cobertura durante o inverno. As áreas de pousio estão localizadas principalmente nas regiões onde as condições climáticas não favorecem o cultivo do milho de segunda safra.
As características climáticas predominantes no Paraná permitem o cultivo pleno da safra de verão complementada com o cultivo do feijão, milho segunda safra ou cereais de inverno. Essas culturas, quando associadas às plantas de cobertura, são essenciais para promover os benefícios agronômicos da rotação de culturas e do sistema plantio direto, o que também diminui a vulnerabilidade econômica das propriedades agrícolas por consequência de sistemas de monoculturas. Em muitas regiões do Paraná, mediante planejamento agronômico de precisão, é possível a produção de cinco safras em dois anos agrícolas.

Cabe ressaltar que a pesquisa agropecuária continua disponibilizando ao setor produtivo as tecnologias de produção e novas cultivares, sempre com melhor desempenho agronômico, com qualidade nutricional e industrial superior. Para garantir o melhor desempenho das novas cultivares nas propriedades, a assistência técnica domina um acervo de conhecimento tecnológico para transferência aos produtores, garantindo assim o fortalecimento da cadeia produtiva.

Triticale: alta produtividade, grãos de qualidade e excelente opção de rotação de culturas. Foto: Klever/IDR

As culturas de inverno são essenciais para a segurança alimentar do país – especialmente o trigo, triticale e aveia. Além disso, também devem ser incentivadas para a maximização do uso do solo e como base tecnológica para sistemas de rotação do culturas, manejo de pragas, doenças do solo e de plantas daninhas de difícil controle como buva, capim amargoso, entre outras.
A garantia de diversificação da produção de fontes de alimentos para atender a cadeia de proteína animal também é estratégia de segurança alimentar. Além dos cereais de inverno, algumas espécies de verão como sorgo, milheto granífero e trigo mourisco apresentam potencial para reduzir a dependência quase exclusiva do milho pela indústria de ração animal.
O item alimentação compõe uma fatia de 60-70% dos custos de produção animal. A histórica sazonalidade da crise de abastecimento do milho prima pela necessidade de reflexão sobre dependência exclusiva do milho pela indústria de proteína animal. Além dessa situação afetar diretamente toda a cadeia produtiva, na outra ponta, impacta o preço do produto final ao consumidor, desaquecendo o ciclo virtuoso produção – mercado – consumo.

Entretanto, existe um gargalo que precisa ser superado de forma técnica e econômica, que é o estabelecimento de preços de mercado para os grãos dessas culturas. Preços de mercado que sejam compatíveis e viáveis para a indústria de ração, mas que sejam também atrativos para os produtores que estimulem os cultivos em suas propriedades.

A literatura científica dispõe de amplo acervo bibliográfico sobre as possibilidades de uso de grãos alternativos em substituição parcial ou total do milho na ração de aves, suínos e bovinos, conforme é apresentado na tabela 1. Os dados servem de subsídios para análise e avaliação técnica específica para cada espécie animal, considerando cada perfil de indústria de ração.

Tabela 1. Percentual de substituição ao milho na formulação de ração animal (%)

1 Os níveis de substituição sugeridos devem ser aferidos por nutricionistas específicos; 2 O processo de moagem dos grãos de sorgo otimiza a sua digestibilidade; 3 Escolha do núcleo proteico-energético-vitamínico-mineral+aditivo definido por nutricionista.

A equivalência entre os preços dos cereais de inverno em relação ao preço do milho é um parâmetro que pode ser utilizado levando em conta a produtividade potencial e custo de produção de cada espécie. Devido à fatores climáticos e fatores inerentes ao mercado de commodities, a equivalência entre os preços deve ser estabelecida a cada safra, sendo desejável a formatação de contrato de compra entre o comprador e o produtor.

Tabela 2. Sugestões de preços de cereais alternativos em equivalência ao preço do milho.

 

Dr. Elir de Oliveira
Pesquisador (Voluntário) – Integração Lavoura-Pecuária
Área de Zootecnia
IDR – Instituto de Desenvolvimento do Paraná – IAPAR/EMATER