Rota do sucesso

Mesmo com ano marcado por percalços, trabalho do Sindiavipar auxiliou avicultores paranaenses a fecharem 2018 com números positivos e com perspectivas otimistas para 2019

Desafiadora. Essa palavra define o que foi a economia brasileira em 2018.

E a avicultura não ficou de fora desses percalços. Embargos internacionais à carne de frango brasileira, instabilidade no câmbio e até mesmo uma greve nacional dos caminhoneiros. Tudo isso colocou obstáculos ao setor, que precisou se unir para passar por esses problemas. Neste cenário, o Sindiavipar trabalhou em prol da indústria avícola paranaense durante todo o ano, que termina com números positivos em produção e exportação após um segundo semestre de recuperação, deixando a classe otimista para 2019.

“Eu acho que esse ano foi duplamente atípico. Nós tivemos alguns pontos que contrariaram totalmente a nossa projeção inicial, mas ao mesmo tempo nos fez ver como somos fortes e organizados. Cada vez mais nós estamos mantendo essa unidade. Desde o pequeno produtor até as grandes cooperativas, que promovem essa união que temos hoje, nós somos efetivamente imbatíveis”, avalia o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins.

“O setor graneleiro, em especial soja e milho, teve um bom desempenho, o que também puxa para cima o setor de proteína animal”
George Hiraiwa, secretário da Seab

Percalços

Com os embargos à proteína animal brasileira pela União Europeia no mês de maio, a avicultura teve restringido um dos seus principais parceiros comerciais. Por isso, o Sindiavipar trabalhou junto do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e do poder público paranaense, por meio da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab) e da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep), desenvolvendo estudos e negociações para demonstrar a importância do setor para a economia brasileira e estadual, além de buscar meios diplomáticos e jurídicos para dar fim ao problema, pois na visão do Sindicato a ação do parlamento europeu se deu por uma opção protecionista e não por questões sanitárias.

Ainda no mês de maio, outro evento impactou negativamente o setor. A Greve dos Caminhoneiros. Por 11 dias as indústrias avícolas paranaense fecharam suas portas, devido aos problemas no transporte de grãos às fábricas de ração, resultando em prejuízos na transferência de animais vivos das granjas aos abatedouros e de produtos resfriados entre a indústria e os pontos de venda e exportação. Durante este período, o Sindiavipar atuou na negociação com as lideranças desses profissionais e com a Defesa Civil para liberação de cargas vivas e de rações, visando a alimentação das aves.

“A cadeia produtiva avícola no Paraná é referência em organização institucional, sob a tutela do Sindiavipar. Uma excelente mostra disto foi o trabalho de excelência realizado durante a greve dos caminhoneiros, alinhado com a cadeia produtiva nacional e com iniciativas que serviram de exemplo para o resto do país. Creio que a crise nos fez mais fortes, e o Paraná é uma das principais referências neste sentido, mostrando que o Brasil seguirá sólido e competitivo na liderança mundial das exportações”, avalia o vice-presidente e diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

“Traçamos a meta de sair de quase 7% para 10% do mercado internacional, o que significa US$ 30 bilhões ao ano, gerando renda, emprego e qualidade de vida para as pessoas”
Eumar Novacki, secretário executivo do Mapa

 

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Toneladas

De carne de frango embarcadas entre julho e outubro

1%

Foi o crescimento nos embarques em comparação ao mesmo período de 2017

Investimentos

Com o objetivo de incentivar o consumo interno de carne de frango, o Sindiavipar, em parceria com a Cobb-Vantress, realizou entre os meses de março, abril e maio a Campanha de Incentivo ao Consumo de Carne de Frango no estado. Por meio de divulgações em revistas, jornais impressos, sites, outdoors, fit boards, busdoors e redes sociais, além da criação de um folder informativo, que apresentou os principais benefícios da dieta com essa proteína, como o auxílio na prevenção do Mal de Alzheimer e ter os nutrientes ideias para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.

Para manter seu status de referência, a avicultura paranaense precisa estar em constante aprimoramento. Foi por isso que o Sindiavipar entregou ao Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti (CDME), administrado pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), dois equipamentos que permitem a detecção, quantificação e monitoramento em tempo real, além da ampliação da capacidade de diagnóstico, de Influenza Aviária e outras doenças avícolas no laboratório. “Nós não podemos deixar de agradecer o Sindiavipar por esse apoio prestado. Essa parceria firme entre setor público e privado é importante para o desenvolvimento dos interesses comuns do agronegócio aqui no estado”, disserta o secretário da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), George Hiraiwa. Além dos maquinários, também foi investido na melhoria da estrutura do CDME, com o custo final sendo orçado em cerca de R$ 300 mil.

Sendo base da avicultura nacional, a melhoria nos processos de garantia da sanidade na produção de aves no Paraná é um dos indicativos que mostram o setor indo na direção certa para continuar crescendo. “A avicultura brasileira como um todo, e a paranaense, especialmente, tem como ponta de lança a qualidade do processo produtivo. A importância disso é que toda essa cadeia gera renda e emprego para o produtor rural. Só as exportações dos cinco principais produtos do agronegócio brasileiro, como a carne de frango e bovina, da soja como um todo, açúcar, celulose e café foram responsáveis por 27% de toda a pauta de exportações brasileiras no ano passado, o que demonstra o peso que o frango tem na pauta de vendas da agropecuária nacional”, contextualiza o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Eumar Novacki.

Prova da retomada do crescimento da avicultura paranaense é a comparação dentro do segundo semestre de 2018. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), entre julho e outubro desse ano, foram embarcadas 578,07 milhões de toneladas de carne de frango pelo Paraná, gerando receita de US$ 904,7 milhões. Esses números são, respectivamente, 1% e 0,3% superiores aos obtidos em 2017, ano que marcou os recordes em exportação para o setor.

Outro dado positivo foi o crescimento dos abates de frango no Paraná. Somente no mês de outubro, 157,8 milhões de cabeças foram abatidas, com o estado conseguindo alcançar produção 8,9% acima do mês de setembro de 2018 e 5,9% superior ao décimo mês de 2017. “Para fortalecer as relações da avicultura brasileira com o mercado internacional, a ABPA realizou incontáveis ações, como a participação de 22 empresas do setor de proteína animal na Salon International de l’Alimentation Paris (SIAL), que gerou US$ 380 milhões em negócios, além do lançamento da campanha global de imagem da cadeia produtiva, com foco inicial na União Europeia”, complementa Santin.