O que esperar para 2019?

Após ano tumultuado e previsão de consumo recorde em 2018, mercado de ovos tem entre os desafios abrir mercado externo

Com previsão de encerrar o ano de 2018 com o maior consumo per capita da história, a avicultura de postura brasileira tem entre seus desafios para 2019 ampliar ainda mais seu comércio interno e abrir portas no mercado externo. De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) a previsão é de que o brasileiro consuma 212 ovos neste ano, número 10,4% maior que as 192 unidades registradas em 2017. Em 2010, a média era de 148 ovos por pessoa.

Apesar do forte crescimento proporcionado por campanhas de incetivo contra mitos sobre essa proteína animal, o consumo brasileiro ainda está abaixo da média mundial, que ultrapassa 230 ovos anuais. No México, o índice é de 360 unidades segundo a ABPA. Em relação a produção, a expectativa da entidade é de crescimento de até 10% neste ano, passando de 39,9 bilhões de unidades em 2017, para 44,2 bilhões em 2018.

Na análise do diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e representante da Internacional Egg Comission, José Eduardo Santos, o aquecimento no mercado em consumo e produção também tem relação com a maior organização do setor em questões voltadas a sanidade, qualidade e biossegurança. “O segmento está melhor estruturado para atender às demandas dos mercados interno e externo, porém, ainda somos muito tímidos nas exportações”, diz. Em 2017, 99,7% da produção brasileira foi destinada ao mercado interno.

“O segmento está melhor estruturado para atender as demandas dos mercados interno e externo”
José Eduardo Santos

E 2019?

O que esperar, no entanto, para 2019, após um 2018 tumultuado econômica e politicamente falando? De acordo com Santos, o setor vai se manter na linha de crescimento e aprimoramento contínuo das atividades, porém, a expansão deve ser mais estável. “Tudo está ligado à situação conjuntural do país. Agora, a partir das eleições, teremos um cenário diferente em relação ao mercado cambial e à credibilidade do país. Com base nisso, vamos poder avaliar qual vai ser o ritmo da economia em 2019”, avalia.

Ainda segundo Santos, se vislumbra um mercado de ovos cada vez mais profissionalizado, tecnificado e adequado às exigências de sanidade e inspeção. “Quem não se adequar vai ficar de fora. Sanidade é prioridade, é garantia de fluxo produtivo e comercial”, destaca, lembrando das alterações nas instalações que as granjas tiveram que fazer para se adequarem às mudanças no sistema de inspeção que foram determinadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em 2017.

Essas adequações, de acordo com Santos, foram um dos grandes desafios para que o setor se mantivesse competitivo em 2018. “Muitas granjas ainda não tinham se adequado, não tinham absorvido a importância das adequações. Para o próximo ano, o setor deve se ajustar cada vez mais para trilhar um caminho promissor, tanto na diversidade de produtos, quanto para abrir caminho para exportações”, espera.

O representante da Internation Egg Comission destaca que o trabalho de forma integrada na produção de ovos, assim como ocorre com o sistema produtivo de aves de corte, é importante requisito para fortalecer ainda mais o setor e favorecer as exportações a partir de 2019. “Uma demanda para o próximo ano é buscar possibilidade maior no mercado externo junto ao Governo”, sugere.

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Unidades

É a previsão de consumo de ovos per capita para 2018

10%

É a projeção de aumento de produção e consumo da proteína neste ano

Oportunidade

As produções alternativas como as de aves livres de gaiola também são consideradas um nicho de mercado e uma oportunidade de investimento para 2019. Atualmente quase 90% da produção global de ovos é no sistema de aves criadas em gaiola. “Então, não temos como mudar isso da noite pro dia e nem aceitar pressão de organizações não governamentais. Aquelas empresas que têm condições de investir vão investir e já estão investindo”, destaca Santos, ressaltando que a preocupação com esse sistema é relacionada à biosseguridade.